Grupos e temas sorteados:
Escultura barroca: Grupo 2 "Ophelizando"
Arquitetura barroca: Grupo 5 "Getúlio Vargas"
Pintura 1 (a pintura entre a linguagem clássica e o ideal barroco): Grupo 4 "Irmandade"
Pintura 2 (o naturalismo caravaggesco e o drama de Rembrandt): Grupo 3 "Ferraristas"
Pintura 3 (a pintura para a corte e para a burguesia: Grupo 1 "Nietzcheanos"
Datas e ordem de apresentação:
Grupo 5 "Getúlio Vargas" e Grupo 4 "Irmandade" apresentam no dia 09/05/2022, nesta ordem;
Grupo 2 "Ophelizando", Grupo 3 "Ferraristas" e Grupo 1 "Nietzcheanos" apresentam no dia 16/05/2022, nesta ordem.
INSTRUÇÕES DA ATIVIDADE:
Grupos Apresentadores:
a) Ler e pesquisar além (do material base) o tema sorteado;
b) Individualmente, preparar registro escrito e mapa mental, no caderno ou papel pautado, para ser mostrado e receber visto do professor no dia da apresentação;
c) Apresentar em grupo, na sala, no máximo em 10 (dez) minutos, resultado de estudo e pesquisa do tema indicado no sorteio;
d) Ao final, responder duas perguntas dos grupos ouvintes.
Grupos Ouvintes:
a) Ler todo o material, que contempla, inclusive, os temas dos outros grupos apresentadores;
b) Fazer anotações no caderno com base na leitura do material;
c) Criar 2 (duas) perguntas para cada tema e seus respectivos grupos apresentadores.
d) Perguntar as questões formuladas aos grupos e temas respectivos no fim de cada apresentação.
e) Caso essas perguntas não sejam respondidas pelo grupo apresentador, caberá ao grupo ouvinte que formulou a questão respondê-la.
*Na rodada seguinte de apresentações de atividade, os grupos ouvintes tornam-se grupos apresentadores e vice-versa.
DINÂMICA DA APRESENTAÇÃO:
1) Dois grupos se apresentam por aula de 50min na seguinte ordem:
a. Tema é apresentado pelo seu grupo em 10min;
b. Finalizada apresentação, professor indica grupos ouvintes para realizar as duas pergunta formuladas previamente;
c. Em seguida, professor abre para dúvidas e comentários gerais com a turma;
d. Professor realizar comentários sobre apresentação e revela nota final;
e. Próximo grupo inicia sua apresentação.
*A todo momento o professor atuará como mediador e buscará solucionar eventuais dúvidas ou erros.
MATERIAL DE ESTUDO BASE
1. Arquitetura barroca
Na sua origem, como vimos, o Barroco responde às iniciativas contrarre-formistas católicas, que apelaram para as exuberantes formas artísticas típicas dessa linguagem como instrumentos de persuasão nas práticas evangelizadoras. Assim, no interior das igrejas erguidas ou reformadas durante o século XVII, a fim de servir às novas demandas da Igreja, os tetos receberam uma pintura rica em invenções e efeitos teatrais. Essa pintura ilusionista será a marca registrada dos interiores barrocos, tanto religiosos quanto leigos. Bacicccia, Pietro da Cortona e Andrea Pozzo são responsáveis por obras-primas da pintura ilusionista na Roma barroca.
Entre os artifícios da pintura ilusionista barroca, conhecida pelo termo francês trompe l’oeil (“ilusão de óptica”), está a representação pictórica da arquitetura. Os elementos arquitetônicos não servem apenas para criar a impressão de profundidade, mas para sustentar as figuras. À medida que o olhar se volta para o “alto”, a cena perde a materialidade e ganha a atmosfera intangível. Alegoria da obra missionária dos jesuítas, de Andrea Pozzo (afresco, 1691-1694).
As colunatas projetadas por Bernini são compostas por 284 colunas e 88 pilares em quatro linhas, abraçando uma elipse de 198 metros de extensão. As marcas no chão, entre as duas fontes e o obelisco, indicam pontos de visão a partir dos quais cada ala da colunata parece possuir apenas uma fila de colunas, e não quatro.
Palácio do Príncipe de Carignano, projetado pelo arquiteto Guarino Guarini, em Turim. A fachada movimenta-se em linhas onduladas que produzem um efeito de claro-escuro, acentuado pelo nicho profundo que domina o balcão central. O beiral do teto e outros elementos enfatizam linhas horizontais e acompanham a ondulação da superfície. Na parte superior, volutas e linhas sinuosas partem o frontão em curvas e contracurvas.
A estética plástica do Barroco se fez ver também nas fachadas das construções e nos espaços abertos, como no projeto da praça de São Pedro, de Bernini. Entre 1656 e 1667, o arquiteto do papa elaborou o projeto e realizou a construção da grande praça fronteiriça à basílica do Vaticano. A praça, que é um monumento à criatividade de Bernini, “abraça” a comunidade de fiéis até os dias de hoje, nos momentos de celebração e manifestações diante da igreja-sede do catolicismo. Das extremidades da igreja de São Pedro saem dois corredores de colunas que se abrem, criando um amplo espaço circular limitado pelo final da curvatura das colunatas, que recebem pórticos à maneira clássica, com colunas dóricas e um entablamento que sustenta o frontão triangular. Acima do entablamento, ao longo de toda a extensão das colunatas, 140 estátuas de santos complementam o cenário. No centro da elipse formada pelas colunatas, entre duas fontes, ergue-se um obelisco egípcio, com mais de 25 metros de altura. As fachadas barrocas apresentam ondulações que lhes dão “movimento”, rompendo com a rigidez das fachadas renascentistas. O emprego de curvas e contracurvas, bem como o uso de elementos ornamentais construídos com linhas sinuosas, criam movimentos tipicamente barrocos, como podemos ver em várias igrejas e palácios italianos.
As fachadas projetadas por Borromini são exemplares dessa tendência barroca ao movimento. Sua linguagem estimula a visão do observador, seja no âmbito externo ou interno das igrejas por ele projetadas, como é o caso de San Carlo alle Quattro Fontane.
No século XVII iniciaram-se grandes intervenções nas cidades, com destaque para a reforma de espaços como a praça Navona, uma das mais célebres de Roma. Nela foram executados projetos barrocos de edifícios e fontes, como a fonte dos Quatro Rios, construída por Bernini em 1651. Foram erguidos, também, mansões e palácios, símbolos do refinamento social e artístico da época.
2. A escultura barroca
A primeira preocupação dos escultores barrocos é de se fundirem nas outras artes. Na realidade, nestas obras não se conseguem separar os dois aspectos: o conjunto é claramente arquitetônico, mas o papel principal foi confiado às estatuas. As esculturas barrocas já não são concebidas segundo esquemas geométricos, mas sim combinando movimentos, soltos e vivos, das figuras.
Suas características são: o predomino das linhas curvas, dos drapeados das vestes e do uso do dourado; e os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade desconhecida no Renascimento.
Esculturas foram construídas para ornamentar muitos desses espaços, e a linguagem barroca, de grande vivacidade e emo-ção, contrastava com a racionalidade da escultura renascentista. Um exemplo do que afirmamos é o David de Michelangelo e o de Bernini (figura 6), separados por mais de um século. De maneira geral, o ideal renascentista e aquele que marcou o século barroco manifestam-se nessas duas esculturas: Michelangelo usou o tema de Davi, o herói bíblico que derrota o gigante Golias com a sua funda, para evidenciar a perfeição da forma humana e a superioridade da razão; Bernini, ao contrário, enfatiza o movimento e a tensão sugeridos pelo tema.
O gigantesco David de Michelangelo traduz equilíbrio e autocontrole, ainda que sua testa e suas mãos, desproporcio-nais em relação ao corpo, demonstrem tensão, porém controlada pela razão.
O David de Bernini é a expressão do sentimento que inspirava os artistas do Barroco. O momento escolhido pelo artista, quando Davi se prepara para usar sua arma, provoca a torção do corpo, a fisionomia contraída e a tensão muscular evidente nas pernas e no tronco. Trata-se de um Davi completamente fora da razão, captado pela força dos sentimentos.
A) David, de Michelangelo (mármore, 1501-1504); (B) David, de Gian Lorenzo Bernini (mármore, 1623). Revelam a harmonia e a simetria renascentistas contra a vivacidade e o movimento da concepção barroca. Michelangelo usou o tem de Davi, o herói bíblico que derrota o gigante Golias, para evidenciar a perfeição da forma humana e a superioridade da razão, ambas características do período renascentista; Bernini, ao contrário, enfatiza o movimento e a tensão sugeridos pelo tema por meio da dramaticidade barroca.

A obra O êxtase de Santa Tereza traz a dramaticidade barroca e causa um imenso impacto no observador. A expressão de prazer da figura feminina ao ser flechada pelo anjo revela o paradoxo entre a dor e o êxtase. O dinamismo presente no planejamento, aliado à expressividade das figuras, e o cenário em que ela se insere, constroem um conjunto especialmente pensado para fazer da cena um espetáculo a ser observado e sentido intensamente pelos frequentadores da capela. Os raios dourado que simulam a luz contrastam com o branco do mármore, destacando os personagens. O êxtase de Santa Tereza, de Gian Lorenzo Bernini, 1644-1652 (mármore).
3. Pintura 1 (a pintura entre a linguagem clássica e o ideal barroco)
Calma e serena, a composição de Poussin traduz sua preocupação com o arranjo das formas. Figuras e arquitetura complementam-se para criar essa sensação de equilíbrio: formas arquitetônicas clássicas criam nítidas silhuetas contra o céu e emolduram o grupo das personagens, compostas em triângulo. A sagrada família na escada, de Nicolas Poussin (óleo sobre tela, 1648).
Ao longo de todo o século, nos principais centros artísticos da Europa, dividida entre o religioso e o profano, a pintura produziu magníficos exemplares da criatividade e talento de diversos artistas que, à sua maneira, souberam expressar as inquietações de sua época.
Em algumas localidades onde se manifestaram as concepções de arte barroca, em especial na Itália e na França, o ímpeto agitado e passional da nova linguagem coexistiu com correntes mais apegadas às ideias clássicas e adeptas da racionalidade.
Na Itália de Rafael, que foi a grande inspiração desses artistas seiscentistas classicizantes, Annibale Carraci e seus seguidores criaram pinturas que buscavam equilibrar razão e sentimento. Carraci, nascido em 1560 e original de Bologna, chegou a Roma, onde trabalhou na decoração do palácio do cardeal Farnese. Carraci buscava superar os excessos maneiristas, resgatando o equilíbrio e a beleza clássicos, sem evitar as linguagens da arte de sua época. Em suas obras, Carraci manteve-se fiel à busca da simplicidade e do equilíbrio cultuados pelos renascentistas, mas explorou efeitos de cor e luz, bem como o movimento de diagonais e o dinamismo das figuras. Guido Reni, também original de Bolonha, seguiu os passos do mestre Carraci e alcançou grande fama em Roma com suas telas e afrescos. Carraci, Reni e seus seguidores desenvolverem um programa de beleza e natureza idealizadas que ficou conhecido como “programa acadêmico”, pela influência que exerceu sobre o ensino de arte nas academias da época. Esse grupo foi visto como passadista e pouco conectado com o seu tempo; mesmo assim, esses artistas figuram entre as principais expressões da arte do século XVII, até mesmo pela influência que exerceram sobre as artes no período que se seguiria aos excessos barrocos.
Foi na França, porém, que despontou o talento de um artista que seria consagrado pela história da arte como o grande defensor das ideias clássicas no século XVII. Nicolas Poussin foi um grande admirador da arte romana clássica e do equilíbrio que a caracteriza. As composições desse artista traduzem o cuidado que ele aprendeu a ver nas obras clássicas e a reproduzir em seus trabalhos, os quais resultam em efeitos de grande beleza.
Peter Paul Rubens foi um adepto da cor na pintura e, por isso, representa uma das facções em disputa no meio artístico seiscentista: os defensores da cor x os adeptos do desenho. Rubens jamais pensava como desenhista; mesmo quando realizava esboços para seus trabalhos, desenhava com o pincel, indicando as formas com pinceladas expressivas e destacando as partes principais da composição em zonas de luz e sombra. Com esse proceder, Rubens apropriou-se de temas religiosos, retratos, alegorias históricas, cenas mitológicas e paisagens.
Poussinistas e rubenistas: A Academia Real de Pintura e Escultura de Paris, fundada em 1648, tornou-se o reduto oficial das artes na França, regida por um sistema rigoroso de ensino artístico. Grande parte das regras adotadas inspirava-se nas ideias classicistas de Poussin, l e v a d a a o e x t re m o p e l o s dirigentes e professores da Academia. A rigidez da doutri-na acadêmica gerou reações em seu interior e, por volta do fim do século, seus membros estavam divididos em duas facções que pontuavam a oposição entre desenho e cor: de um lado, os “poussinistas”, ou conservadores; do outro, os “rubenistas”. Os primeiros defendiam as ideias do mestre francês, de que o desenho, por ser uma atividade intelectual, era superior à cor, que se dirigia aos sentidos; os seguidores do mestre flamengo, por sua vez, defendiam a cor em de-trimento do desenho, por ser ela mais fiel à natureza e, além disso, falar mais diretamente às pessoas, ao contrário do desenho, que era acessível apenas a raros entendidos. Essa polêmica, que se reveste, no século XVII, da terminologia relacionada aos dois artistas seiscentistas, reaparecerá, mais tarde, na oposição entre Ingrès e Delacroix, mestres franceses do século XIX.

Em várias de suas obras, Rubens explorou o nu feminino, em que se destacam figuras brancas, num padrão de beleza evidentemente distinto do ideal clássico e mais ao gosto da Flandres de sua época. O tema de Páris deu a Rubens a oportunidade de elaborar um quadro de rico sentido alegórico e, ao mesmo tempo, explorar a representação da natureza. O julgamento de Páris (óleo sobre tela, c. 1632-1635).
Nicolas Poussin (1594-1665): viveu praticamente toda a sua vida em Roma, depois de uma estada em Veneza. Muito influenciado pela Antiguidade clássica, por Ticiano e Rafael, sua arte é o resultado do esforço de conjugar a influência recebida desses dois artistas. Poussin planejava seus quadros cuidadosamente, chegando a montar um palco em miniatura, onde dispunha figuras de cera adequadamente vestidas, que lhe serviam de modelos.
Peter Paul Rubens (1577-1640): pintor flamengo de formação alemã e italiana, Rubens esteve também na Espanha e na Inglaterra. Essa circulação internacional contribuiu para fazer de seu talento um dos mais reconhecidos na época, além de lhe ter permitido uma atuação diplomática que marcou a sua carreira. Para dar conta de suas inumeráveis encomendas, Rubens montou uma oficina de produção artística, onde dirigia ajudantes aptos a realizar boa parte de suas pinturas, a partir de esboços realizados por ele mesmo, a pincel.
4. Pintura 2 (O naturalismo caravaggesco e o drama de rembrandt)
Oposto às idealizações clássicas e ao maneirismo da segunda metade do século XVI, Caravaggio reagiu contra essas posturas com uma arte intensamente dramática e realista. Era dotado de uma personalidade bastante rebelde e agitada e de um talento que lhe garantiu sucesso entre o mecenato da época, notadamente entre os religiosos que queriam uma arte mais de acordo com a renovação em curso na forma de ler e interpretar os evangelhos. Foi assim que Caravaggio obteve sucesso com suas cenas bíblicas, em que se viam figuras populares, levadas a primeiro plano e destacadas pelo forte tratamento da luz.
Caravaggio representava personagens comuns com suas imperfeições e detalhes naturalistas. O termo naturalismo, aqui, não indica a busca de uma beleza ideal, como entre os artistas da Renascença, mas aproxima-se de um realismo extremo, no qual nada é evitado, nem mesmo a feiura. Em suas telas, trabalhadores comuns e maltratados transformam-se em personagens bíblicas, sem o menor constrangimento. Para Caravaggio, a pintura não deve idealizar o mundo, mas evidenciar seus defeitos e fraquezas reais.
Além de destacado pintor de quadros religiosos, Caravaggio aplicou seu naturalismo em belíssimas telas de natureza-morta, retratos e temas mitológicos. Foi precursor de um estilo que atraiu a atenção de alguns artistas em seu tempo e tornou-se importante referência para a pintura nos séculos seguintes. Artistas flamengos e holandeses aderiram ao naturalismo caravaggesco e exportaram a arte de Caravaggio para os Países Baixos.
O holandês Rembrandt van Rijn identificava-se com o mestre romano no que diz respeito aos efeitos dramáticos do uso da luz na pintura. Rembrandt foi um dos maiores artistas de todos os tempos e sua imensa produção atesta seu talento e originalidade. À diferença de seus contemporâneos italianos, porém, Rembrandt não contava com o importante mecenato religioso que favorecia os artistas atuantes na Itália. Os burgueses da Holanda calvinista, que enriqueceram com a prosperidade comercial de Amsterdã, tinham preferência por retratos, paisagens, motivos florais e cenas de gênero.
Ainda que tenha se adequado a essas demandas, Rembrandt dedicou-se também às gravuras com temas religiosos, para as quais havia um mercado significativo na Europa da época. Em todas as suas obras, porém, o grande destaque são os efeitos obtidos com um sensível jogo de claro-escuro, o que dá origem a uma dramaticidade raras vezes obtida na história das artes pictóricas.
Caravaggio provocou a ira de muitos contemporâneos ao representar a Virgem com o Menino em um ambiente tão popular e descuidado: a parede com reboco quebrado indica a pobreza da casa; o casal de peregrinos, com pés descalços e sujos, são personagens pouco frequentes nas cenas sacras. Nossa Senhora de Loreto, de Caravaggio (óleo sobre tela, 1604).
Rembrandt realizou vários autorretratos. Em todos eles explorou a luz como elemento expressivo. Neste, a luz evidencia o semblante do pintor, mas deixando na penumbra parte de seu rosto e busto. Autorretrato (óleo sobre madeira, c. 1635).
Michelangelo Merisi, dito Caravaggio (1571-1610): atraiu a atenção de cardeais e nobres com seu trabalho diferenciado. Sua inspiração vinha do submundo romano das tabernas e ruas.
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669): pintor e gravador holandês, viveu a maior parte de sua vida em Amsterdã, onde desfrutou das privilegiadas relações sociais de sua esposa, Saskia van Uylenborch, modelo frequente em suas pinturas. Entre os gêneros a que se dedicou, os autorretratos são marcas significativas de seus esforços no sentido de promover sua arte e sua própria figura.
5. Pintura 3 (a pintura para a corte e para a burguesia)
As cenas de Vermeer são construídas para seduzir o espectador e, por mais que pareçam “realistas”, são a expressão simbólica dos desejos e prazeres de uma sociedade que se refinava na Holanda protestante seiscentista. As poucas e pequeninas telas de Vermeer estão entre as obras mais bem avaliadas do mercado de arte internacional. Jovem com copo de vinho, de Jan Vermeer (óleo sobre tela, c. 1662).
Obra enigmática, As meninas pode ser considerada um retrato, porém de maneira diferenciada, já que apresenta o autorretrato do pintor (que olha para nós, à esquerda, por trás da tela sobre o cavalete), os retratos reais da pequena princesa (na frente, em evidência) e do rei e da rainha (refletidos no espelho, no centro da composição, ao fundo). A tela é um verdadeiro jogo de espelhos, em que o observador é chamado a participar, como se estivesse posicionado fora do quadro, mas, dentro do ambiente, como supostamente estão o rei e a rainha. As meninas, de Diego Velázquez (óleo sobre tela, 1656).
O século XVII marcou a afirmação das monarquias absolutistas e a formação de importantes e luxuosas cortes nos recém-formados Estados modernos. Houve a retomada do comércio e a rápida emergência de um grupo social que se esforçava para encontrar seu lugar em meio a uma sociedade tradicionalmente aristocrática. A constituição de um sistema de artes, principalmente a atuação das academias de arte, determinou novos códigos para o trabalho artístico e, sobretudo, novas regras de mecenato. Arte e política estavam indissoluvelmente ligadas a partir de então, assim como a arte estaria inevitavelmente dependente de seus novos e ricos comitentes burgueses. Cenas e retratos desse novo grupo social, pintura de paisagem e cenas de gênero, alegorias políticas e históricas, retratos oficiais, todos esses temas e gêneros passaram a ser contemplados pelos artistas seiscentistas, nos diversos centros artísticos europeus.
Jan Vermeer é uma das mais importantes expressões da arte holandesa do período, dedicado à pintura de gênero e aos retratos burgueses. Foi um exímio seguidor da prática holandesa do estudo da luz em ambiente fechado, além de se destacar pela extrema habilidade em representar detalhes, à maneira da pintura descritiva de tradição holandesa e flamenga. Vermeer trabalhava para comitentes que se deleitavam com suas criações, delicadas telas nas quais tudo parecia ser o reflexo perfeito de um espelho. Esse artista possuía extrema habilidade em captar a luz e representá-la na tela, associada ao seu talento perspectivista, que lhe permitia criar efeitos de profundidade para diferenciar as personagens e dar naturalidade à cena.
Na Espanha, que alcançou seu apogeu artístico e cultural no século XVII, a ainda poderosa corte de Filipe IV empregou Diego Velázquez como seu pintor oficial em 1623. Durante cerca de 40 anos, Velázquez realizou incontáveis retratos e obras para a corte espanhola. Fez uma curta viagem de estudos a Roma, em 1630, e, com o tempo, foi aperfeiçoando sua técnica, alcançando um alto grau de qualidade em composições nas quais explorava o efeito da pincelada e a harmonia das cores para integrar os motivos representados. A obra de Velázquez é um exemplo da busca efetuada pelos artistas seiscentistas para encontrar novas harmonias entre os elementos pictóricos, bem como novos códigos expressivos, a fim de criar uma arte mais adaptada ao seu tempo.
Retratos oficiais também fazem parte da produção pictórica de Antoon vanDyck, artista nascido na Antuérpia e formado no ateliê de Rubens. Depois de um período de estudos na Itália, Van Dyck tornou-se pintor da corte inglesa de Carlos I em 1632. Seu sucesso deve-se, em parte, à capacidade do artista em retratar seus comitentes da maneira como eles queriam que sua imagem fosse projetada na eternidade.
Por motivos religiosos, já que o protestantismo na Ho-landa restringira a atuação dos artistas, o pintor holandês Frans Hals destacou-se também na arte do retrato. Sua obra destaca-se pela extrema vivacidade das personagens retratadas, como se o artista as tivesse capturado em um momento específico e fixado sua imagem na tela, ressaltando o talento descritivo holandês, sobretudo nos detalhes das vestimentas dos retratados.
Provavelmente por uma demanda do público burguês, as paisagens foram amplamente exploradas no século XVII, ascendendo a uma posição que não possuíam no Renascimento, o que conferiu a esse tipo de pintura o caráter de gênero autônomo. Foram pintores de paisagens artistas destacados em outros gêneros, como Rubens ou Nicolas Poussin, e pintores que se tornaram famosos como paisagistas. Tal é o caso do francês Claude Lorrain, que viveu quase toda a sua vida em Roma, como seu contemporâneo Poussin. Lorrain costumava colher sua inspiração in loco e, depois, em seu ateliê, dedicava-se à composição de paisagens idealizadas, nas quais todos os elementos eram arranjados segundo uma ordem perfeita, para que o equilíbrio da obra fosse garantido. Como artista do século XVII, porém, Lorrain era adepto das diagonais barrocas, as quais, em sua obra, conduzem suavemente os elementos e o olhar do primeiro plano para o plano de fundo, sem cortes violentos.
A paisagem holandesa foi privilegiada pela pintura dos artis-tas locais Rembrandt, Vermeer, Jan van Goyen e Jacob van Ruisdel, que voltaram seus olhares para cenas rurais e urbanas.
Diego Rodríguez de Silva Velázquez (1599-1660): pintor espanhol que transformou radicalmente o gosto artístico da corte espanhola, por sua adesão a uma pintura de cunho mais realista e de fortes qualidades cromáticas. Foi autor da Vênus no espelho, hoje na National Gallery de Londres, uma das primeiras Vênus modernas, cujo realismo sugere um cenário distante da mitologia, o que provocou escândalo no meio social da época.

As paisagens de Lorrain atendiam ao gosto de uma clientela formada pela nobreza romana, que, por vezes, incluíam temas mitológicos. Elementos da arquitetura clássica em meio à paisagem marcadamente italiana virariam uma espécie de clichê nas composições de paisagens nos séculos a seguir. Paisagem pastoril, de Claude Lorrain (óleo sobre tela, 1638).
Para expandir seus conhecimentos:
https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-barroca/barroco/
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